HISTÓRIA DA PARÓQUIA SANT'ANA
O catolicismo se fez presente nas terras lavrenses desde a chegada dos primeiros colonizadores, por volta de 1720 ou 1721. A devoção a Sant’Ana pode ser explicada por serem os primeiros bandeirantes, ligados à família Bueno da Fonseca, naturais da Vila de Sant’Ana do Parnaíba, São Paulo. Além do nome de sua terra natal, vale observar que aqueles pioneiros eram mineradores e moedeiros, sendo a Senhora Sant’Ana padroeira destes profissionais.
Em 1751, iniciou-se a edificação da primeira capela de Sant’Ana, concluída e benta em 1754. Esta igreja, desde 1917, é dedicada a Nossa Senhora do Rosário, único templo católico do Sul de Minas Gerais tombado em nível federal.
Até então, o Arraial de Sant’Ana das Lavras do Funil permanecia sob a influência da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Carrancas. Contudo, por volta de 1760, a população lavrense era composta de mil almas, o dobro da população carranquense, cuja matriz ficava em terras particulares. Assim, em 21 de novembro de 1760, o, primeiro bispo de Mariana, Dom Frei Manuel da Cruz, confirmou provisão que transferia a sede da Paróquia de Carrancas para Lavras nos seguintes termos:
“Fazemos saber, que atendendo nós ao que por sua petição retro nos enviaram, a dizer os aplicados da capela de Sant’Ana das Lavras do Funil, da freguesia de Carrancas; havemos por bem conceder-lhes licença pela presente nossa provisão, para que se possa erigir a capela da gloriosa Senhora Sant’Ana das Lavras do Funil, em Igreja Matriz, que até agora se intitulava das Carrancas, na qual começará logo o Pároco e exercer o seu ofício paroquial, fazendo transladar da capela que até agora servia para a que determinamos. Fique aqui em diante servindo de matriz, todos os bens e alfaias; e depois de concluído o corpo da igreja, que de novo andam fazendo, recorrerão a nós para mandarmos benzer, como também por licença para haver sacrário, no caso que o possam ter e conservar, e todos os emolumentos que se determinavam pagar, para lhe ficar servindo de patrimônio, como é estilo de todas as demais paroquias deste continente; e será registrada esta onde pertencer. Dada e passada nesta cidade de Mariana sob o nosso sinal e chancela de nossas armas aos 21 de novembro de 1760”.
Agora então a Paróquia estava em Lavras e tinha como matriz uma bela igreja construída em estilo barroco com pinturas e imagens de extremo primor.
O padre Manuel Martins era estabelecido como pároco de Nossa Senhora da Conceição das Carrancas e Sant’Ana das Lavras do Funil.
Note que, originalmente, o território paroquial ocupava área vastíssima, que incluía vários municípios da atual região geográfica imediata de Lavras, entre outros. O auge territorial se deu em 19 de Junho de 1813, quando uma resolução régia assinada pelo príncipe regente Dom João dividiu a Paróquia em duas, reestabelecendo a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição das Carrancas como distinta da Paróquia Sant’Ana das Lavras do Funil. Com o passar do tempo, outros desmembramentos ocorreriam, processo justificado pelo aumento populacional constante.
No século XX, a Paróquia Sant’Ana de Lavras deixou de pertencer à Diocese de Mariana. Entre 1900 e 1907 esta fez parte da diocese de Pouso Alegre, sucedendo-se Campanha (1907-1960) e, desde 1960, a Diocese de São João Del Rei.
Mas ainda no início do século XX a população de Lavras crescia cada vez mais e a velha matriz se tornava pequena para acolher os inúmeros fiéis. O povo já clamava por um novo templo que atendesse a essa demanda. Aqui entra a abençoada figura do Cônego Francisco Severo Malaquias, que era o pároco da época. Ele adquiriu um terreno de propriedade do Capitão Evaristo Alves, junto à Santa Casa de Misericórdia, que oferecia todas as condições necessárias para a execução do projeto. Esse terreno foi adquirido em primeiro de maio de 1904 e neste mesmo ano no dia 29 de Junho, dia de São Pedro, foi colocada a primeira pedra que serviria de base para a construção da nova matriz.
O novo templo foi inaugurado em 1917, sem a atual torre, com uma procissão partindo da velha matriz (hoje igreja do Rosário) com várias pessoas carregando a imagem de nossa padroeira até à frente da igreja, onde foi dada a benção ao novo templo, a atual matriz de Sant’Ana.
Em 1923 foi terminada a torre e no momento em que foi colocada a cruz, no ponto mais alto, houve uma grande queima de fogos e muita festa nas ruas.
Já são quase 270 anos de fé, trabalho e história.
Ressalta-se, que, desde 1924, servem na paróquia Sant’Ana os padres Dehonianos e em 2024 comemorou-se o centenário da presença dos padres da Congregação do Sagrado Coração de Jesus em Lavras.
Nossa prece é de gratidão a Deus e por todos os padres que aqui trabalharam e deram a sua parcela de contribuição, na edificação desta igreja e do povo de Deus.
Construída pelas mãos de muitos e que constitui, hoje, nosso grande legado. E sob a proteção de Deus e a intercessão de nossa querida padroeira, hoje somos nós os construtores da abençoada Paróquia dos Campos de Sant’Ana das Lavras do Funil.
Todos os Párocos de Sant’Ana.
Pe. Manuel Martins; Pe. João Gomes Salgado; Pe. Manuel Afonso da Cunha Pereira; Pe. José da Costa Pereira; Pe. João Francisco da Cunha; Pe. Manoel da Piedade Valongo de Lacerda; Pe. Aleixo Antônio da Mota; Pe. Francisco de Paula Diniz; Pe. João Tomas de Souza; Pe. Manuel de Souza Lima; Pe. José Bento Ferreira de Mesquita; Pe. Francisco Severo Malaquias; Pe. Castorino Pereira de Britto; Pe. Fernando Baunhoff ( primeiro padre Dehoniano); Pe. Frederico Bangder; Pe. Luiz Tings; Pe. Tarcísio Dalsenter; Pe. Bernardo Kowner; Pe. Agostinho Beckhauser; Pe. Frederico Bangder; Pe. Waldemar Godert; Pe. Odo Haelker; Pe. Clemente Kollhoff; Pe. Antônio Echelmeyer; Pe. Henrique Boeing; Pe. João Batista Prost; Pe. Aurélio Mariotto; Pe. Carlos Martinenghi; Pe. Dionísio Tecilla; Pe. Iliseu Schneider; Pe. Elígio Stup; Pe. Cristiano Francisco de Assis; Pe. Túlio Marcos Ribeiro Corrêa.
PRESENÇA DEHONIANA EM LAVRAS
Os Dehonianos tomaram posse em Lavras no dia 9 de novembro de 1924 na pessoa do padre Fernando Baunhoff.
Algumas aquisições dos padres Dehonianos em nossa Paróquia:
– Altar Mor da igreja: Padre Fernando Baunhoff
-Construção do Colégio Aparecida: Pe. Luiz Tings
-Primeira grande reforma da igreja: Pe. Frederico Bangder
-Padres que foram perseguidos por causa da Segunda Guerra Mundial na década de 40: padre Tarcísio Dalsenter, padre Bernardo Kowner e padre Agostinho Beckhauser.
– Demolição da antiga casa paroquial e construção da nova: Pe. Waldemar Godert.
-Relógios da Torre: Pe. Antônio Echelmeyer.
– Bancos da igreja: Pe. Henrique Boeing
-Ampliação da casa paroquial e construção do velório: Pe. João Batista Prost.
-Novo Batistério da igreja: Pe. Aurélio Mariotto
-Recanto Coração de Jesus; Pe. Carlos Martineghi.
Essas são apenas algumas aquisições que marcaram época pois ainda fazem parte do nosso presente. Porém o principal legado deixado por cada padre Dehoniano que passou em Lavras, é as suas obras de caridade, piedade, espiritualidade e fé. Carismas estes que contribuíram muito no crescimento de Lavras e especialmente de nossa Paróquia.